O que é o Concílio Vaticano II e qual a sua importância para os Maristas de Champagnat?

O Concílio Ecumênico Vaticano II é considerado um dos acontecimentos mais importantes da Igreja Católica no século XX. Ele marcou a forma como a Igreja se compreende, se organiza e se relaciona com o mundo contemporâneo. Seus efeitos continuam até hoje, inclusive na missão dos Irmãos Maristas.

O que é um Concílio?

O Concílio é a assembleia de todos os bispos do mundo ou de uma representação dos bispos do mundo inteiro que, em comunhão com o Papa, procura esclarecer questões de fé, de moral ou da vida prática da Igreja.

Ao longo da história, a Igreja realizou 21 concílios ecumênicos. O mais recente deles é o Concílio Vaticano II.

 

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Papa João XXIII | Foto: Reprodução / Vatican News

A história do Concílio Vaticano II

O Vaticano II foi anunciado pelo Papa João XXIII no dia 25 de janeiro de 1959, apenas três meses após sua eleição. O anúncio aconteceu na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma, ao final da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

A convocação oficial ocorreu em 25 de dezembro de 1961, por meio da Constituição Apostólica Humanae Salutis. Já a abertura solene do Concílio aconteceu em 11 de outubro de 1962, na Basílica de São Pedro.

No discurso de abertura, João XXIII deixou claro seu objetivo: guardar fielmente a doutrina cristã, mas comunicá-la de forma mais eficaz ao mundo moderno.

João XXIII faleceu em 3 de junho de 1963, sem ver o fim do Concílio. Coube ao seu sucessor, Papa Paulo VI, dar continuidade aos trabalhos. Seu encerramento ocorreu em 8 de dezembro de 1965.

Na cerimônia de conclusão do Concílio Ecumênico Vaticano II, o Papa Paulo VI leu a Carta Apostólica In Spiritu Sancto que encerrava o evento. “Mandamos também e ordenamos que tudo quanto foi estabelecido seja observado santa e religiosamente por todos os fiéis, para glória de Deus, honra da santa mãe Igreja, tranquilidade e paz de todos os homens”, afirma um trecho da carta.

Os principais documentos do Concílio Vaticano II

O Concílio Vaticano II produziu documentos fundamentais que orientam a Igreja até hoje. Quatro deles são considerados os grandes pilares do Concílio:

  • Lumen Gentium – sobre a Igreja e o Povo de Deus;
  • Dei Verbum – sobre a Revelação Divina e a Palavra de Deus;
  • Sacrosanctum Concilium – sobre a Liturgia;
  • Gaudium et Spes – sobre a Igreja no mundo de hoje.

Além dessas constituições, o Concílio gerou nove decretos, que tratam de temas como a vida dos bispos, sacerdotes, religiosos, leigos, missões, ecumenismo e comunicação social, e três declarações, que abordam a educação cristã, a liberdade religiosa e o diálogo com as religiões não cristãs.

Um Concílio sempre atual

Mesmo passadas seis décadas, o Vaticano II continua atual. Em 2025, a Igreja celebrou os 60 anos do aniversário do Concílio, e o Papa Leão XIV iniciou um novo ciclo de catequeses dedicadas a esse tema.

Segundo o Pontífice, como a geração que viveu diretamente o Concílio já não está mais presente, torna-se ainda mais importante redescobrir o Vaticano II a partir de seus documentos, e não por interpretações parciais ou superficiais. Neles, afirma o Papa, encontra-se um Magistério vivo, capaz de orientar a Igreja no presente.

 

Irmãos Maristas na Assembleia em Paranaguá 2025

A importância do Concílio Vaticano II para os Maristas de Champagnat

Para os Maristas, o Concílio Vaticano II foi um marco de renovação. Dois documentos tiveram impacto na Vida Consagrada e no Instituto Marista:

  • Lumen Gentium, ao apresentar a Igreja como Povo de Deus e valorizar os carismas;
  • Perfectae Caritatis, decreto que pediu uma renovação profunda da vida religiosa.

Esse documento foi recebido como uma diretriz, originando processos de renovação (espiritual, formativa, canônica e missionária) que empenhava a todos os religiosos e religiosas, cada qual em seu Instituto.

No Instituto Marista, esse processo de renovação foi conduzido pelo Irmão Basílio Rueda, eleito Superior Geral em 1967, no período pós-Concílio. Ele ajudou os Maristas a relerem o carisma de São Marcelino Champagnat à luz dos “sinais dos tempos”, como pedia o Concílio.

Sob a liderança do Irmão Basílio Rueda, o Instituto Marista avançou em várias frentes: espiritual, formativa, comunitária, missionária e canônica. Foi ele quem conduziu o processo de renovação das Constituições Maristas, conforme solicitado pelo Concílio, até sua aprovação pela Santa Sé.

Esse caminho incluiu mudanças importantes na compreensão da Vida Consagrada: volta às fontes, superação do juridicismo, a retomada da inspiração evangélica no seguimento de Cristo pelos votos religiosos, o viés apostólico, entre outras.

No Instituto Marista, foram verificadas duas respostas aos apelos do Concílio, a da recepção e da resistência. O Irmão Basílio cobrou de seus Provinciais a facilitação da abertura das províncias ao Vaticano II.

Relembrar o Concílio Vaticano II é, renovar o compromisso de ser presença evangelizadora, simples, fraterna e próxima, em sintonia com a Igreja e com os desafios do mundo atual.

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