A Quaresma é um importante tempo litúrgico para a Igreja Católica, um período de preparação para a Páscoa, a celebração da ressurreição de Jesus Cristo. Este texto te ajuda a entender o seu significado, origem, práticas e como vivê-la bem.
️ O que é a Quaresma?
A Quaresma é um período de 40 dias em que a Igreja anualmente convida todos e todas à reflexão espiritual, à renovação da fé e ao aprofundamento da vida cristã. Durante esse período, práticas como o jejum, a penitência e a caridade têm o objetivo de ajudarem na preparação para celebrar a ressurreição de Jesus.
Quando começa e termina?
- Início: Quarta-feira de Cinzas: católicos são marcados na testa com uma cruz feita das cinzas dos ramos do Domingo de Ramos do ano anterior.
- Término: Sábado de Aleluia, anterior ao Domingo de Páscoa.
Em 2026, a Quaresma ocorre de 18 de fevereiro a 2 de abril.
Por que 40 dias?
Na Bíblia, os números quase sempre têm uma função simbólica. O número 40 representa a totalidade de uma geração ou um período de tempo de longa preparação.
- Os 40 dias de Jesus no deserto antes de começar sua vida pública.
- Os 40 anos do povo de Israel no deserto antes de chegar à Terra Prometida.
- Os 40 dias do dilúvio no tempo de Noé.
Qual é o propósito espiritual?
A Quaresma é um chamado de conversão sincera, um tempo propício para o cultivo da:
Oração
Intensificar a vida espiritual, por meio da leitura da Sagrada Escritura, das celebrações eucarísticas e de retiros, momentos de silêncio com Deus.
Jejum
O jejum educa-nos a partir da abstinência a fazermos a experiência que tantos homens e mulheres vivem de maneira permanente: a privação do essencial para sobreviver. Abre o nosso coração à prática da caridade.
Caridade
A caridade é a essência do ensinamento de Jesus: “Tive fome e me deste de comer, tive sede e me deste de beber, era estrangeiro e me acolhestes, estive nu e me vestistes, doente e me visitastes, preso e viestes me ver” (Mt 25). Em cada uma destas situações podemos vivenciar a prática da caridade ao longo da quaresma.
Tradições
Algumas características também ajudam a viver este tempo com profundidade:
- Cor roxa na liturgia, um sinal de penitência e espera.
- Ausência do “Glória” nas celebrações litúrgicas.
- Imposição das cinzas na Quarta-feira de Cinzas.
- Realização da Via-sacra às sextas-feiras.
Vivendo a Quaresma com propósito
A Quaresma é um convite a reencontrar Deus em nós mesmos e no próximo. É um tempo de partilha, de comungar com irmãos e rezar pela paz e pelo amor. É refletir todos os dias sobre seu comportamento e tentar melhorá-lo; é entregar a Deus seus medos, fraquezas e anseios.
A quaresma para Champagnat e Irmãos Maristas
Para São Marcelino Champagnat: “a quaresma era o momento da contemplação do mistério da Redenção. Ele e os primeiros Irmãos passava toda a quaresma meditando os sofrimentos do divino Salvador, e, considerando o assunto mais que suficiente para ocupar os Irmãos e alimentar-lhes a piedade, não lhes propunha outro, para suas meditações, leituras espirituais e, até mesmo, para leituras no refeitório. Com grande fervor dedicava a Semana Santa à contemplação do inefável mistério do amor imenso de Deus pelos homens. Passava-a no mais profundo recolhimento, como se fosse dias de retiro. Nos três últimos dias, os ofícios da Igreja celebravam-se integralmente, com a máxima devoção e solenidade” (Vida de São Marcelino Champagnat, p.303).
A Quaresma é o caminho que conduz da segurança aparente à entrega confiante. Na história marista, esse caminho é vivenciado pelos Irmãos em Bugobe, no campo de refugiados de Nyamirangwe, em Ruanda.
A presença marista no campo de Nyamirangwe (Bugobe) data do mês de agosto de 1994, após o terrível genocídio, que fez ao menos 500.000 mortos.
Muitas pessoas da tribo Hutu, fugiram, sobretudo para o Congo (Zaire) e formaram campos de refugiados. Seis Irmãos Maristas dessa etnia decidiram ajudar as pessoas de sua tribo.
Esses Irmãos corriam risco devido a crescente politização em torno dos refugiados. A partir de 1995 eles foram substituídos pelos Irmãos Servando, Miguel, Fernando e Júlio.
No entanto, a situação política piorava de um dia para o outro. Começaram a sentir-se ameaçados. A missão já não era tão gratificante como no início. Tudo se complicara pouco a pouco. Até os refugiados que foram assistidos começam a retirada fugindo da guerrilha. É então que chega o momento da verdade.
O que ocorrera com nossos irmãos de Bugobe foi o mesmo que aconteceu com Jesus. Para ele também tudo foi ficando feio, muito feio. Ele sentia, adivinhava que aquilo poderia terminar muito mal. Naquele momento, Jesus decide entregar tudo e entregar-se até o final; quer dizer, entregar sua própria vida por aqueles que ama.
Servando, Miguel Ángel, Júlio e Fernando, de comum acordo, pesando e repesando as circunstâncias, recusando a oferta do Superior Geral de abandonar aquele inferno, decidem ficar. Ficar significava aceitar e crer que Deus estava ao lado deles.
Um ato de fé maduro, profundo, impressionante. Como Jesus, mantiveram sua entrega até o fim, deixando assim evidente para nós que o amor puro, desinteressado, extremo, é possível para aqueles que o praticaram na experiência da vida de cada dia.
Essa experiência nos revela que a Quaresma não é apenas um tempo litúrgico, mas um modo de viver.
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