Rios de Vida. Ecos da Caminhada” é uma coluna do Vigário Geral, publicada, a partir de fevereiro de 2026, cada segunda quarta-feira do mês.
“Não há nada mais profético do que ser irmão”1
No dia 2 de fevereiro, celebramos, mais uma vez, o Dia Mundial da Vida Consagrada. Um dia para agradecer o dom da nossa vocação e uma ocasião propícia para renovar o nosso compromisso como pessoas consagradas a serviço do Reino.
O Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada desafia-nos a viver a nossa vocação como uma Profecia da presença: vida consagrada onde a dignidade é ferida e a fé é provada. Esta provocação me conectou profundamente com a minha experiência durante a recente visita ao Projeto Fratelli (recente visita ao Projeto Fratelli), no Líbano, onde uma comunidade de Irmãos De La Salle e Maristas, juntamente com voluntários leigos e educadores, acompanha, cuida e educa meninas e meninos deslocadas pela guerra na Síria.
Todas as manhãs, um irmão da comunidade e uma educadora viajam de van pelas pequenas colinas de Rmeileh para buscá-los. Eles esperam com entusiasmo: a alegria ilumina seus rostos e seus olhos brilham ao verem os membros do Fratelli chegarem. Entram na van sabendo que poderão estar presentes por mais um dia no projeto.
Essa atitude de ir “ao encontro das crianças e dos jovens onde eles estão” (cf. Evangelizadores entre los jóvenes) evoca com força nossas origens maristas, trazendo à tona a experiência do Ir. Lourenço Audras, quando percorria as montanhas de Bessat e, com um pequeno sino, chamava as crianças do povoado para educá-las e contar-lhes o quanto Deus as ama.
Algo que me surpreendeu particularmente nos participantes do Projeto Fratelli foi a expressão espontânea, autêntica e alegre que brotava de seus lábios ao entrarem na van: “Frère, sabah alkhayr” (Irmão, bom dia; manhã de luz). Da mesma forma, todas as manhãs, ao chegarem ao projeto, os irmãos os aguardam para recebê-los, e a mesma saudação é sempre repetida, acompanhada de um gesto simples com as palmas das mãos: “Irmão, bom dia”.
Essas meninas e meninos, cuja língua materna é o árabe e que professam a fé muçulmana, vivenciam diariamente a presença de um “irmão”, para além das barreiras da língua ou da religião. Para elas, ser irmão se traduz em proximidade, bondade, cuidado e acolhimento: o rosto materno da Bondade de Deus, expresso a cada dia naquela saudação simples, carregada de afeto.
A afirmação de nossas Constituições — “Nossa primeira missão é sermos irmãos e construirmos fraternidade” (C. 39) — recupera sua verdade, plenitude e significado quando se concretiza nas experiências diárias, quando a sentimos acontecer em nossa própria vida.
- Como Marista, você se aproxima das crianças e dos jovens que encontra pelo caminho?
- Quando você está presente entre eles, eles o/a percebem como irmão ou irmã?
- A partir da sua missão e fase de vida, que gestos concretos de presença você cultiva com crianças e jovens?
Continuemos a ser, como Maristas, no mundo e na Igreja, uma profecia de fraternidade e sororidade, Boa Nova para as crianças e os jovens do nosso tempo, especialmente os mais pobres e vulneráveis (Mensagem do XXIII Capítulo Geral).
Ir. Hipólito Pérez Gómez, Vigário geral – 11 de fevereiro de 2026