A vocação nasce no coração de Deus, mas cresce no meio das pessoas, nas comunidades e nas relações que ajudam a cultivar esse chamado. Na família marista, essa compreensão se traduz no que chamamos de cultura vocacional: um ambiente em que toda a comunidade ajuda os jovens a escutar e responder ao chamado de Deus.
Na Província Marista Brasil Centro-Sul (PMBCS), o Serviço de Animação Vocacional acompanha jovens que desejam discernir com mais profundidade o sentido da própria vida e a possibilidade de seguir Jesus Cristo ao estilo de São Marcelino Champagnat. Entre os jovens que vivem esse processo estão Jean Alves Lima, colaborador do Memorial Marista que atualmente vive na comunidade do Prado Velho, em Curitiba (PR), e France Júnior, que reside na comunidade de Chapecó e integra a Comissão Provincial de Juventudes. Suas histórias revelam como a vocação pode nascer em experiências simples do cotidiano.

Um chamado que nasce na própria história
A caminhada vocacional costuma nascer de forma simples, a partir de encontros, experiências de missão e convivência com pessoas que testemunham a fé.
Jean conta que, desde jovem, convivia com comunidades religiosas em sua cidade e se sentia atraído pela ideia de “consagrar a vida a Deus”. Com o tempo, essa inquietação foi ganhando forma até que, ainda no final do ensino médio, começou a considerar a possibilidade de ser Irmão Marista.
“Quando estava em dúvida sobre qual caminho seguir, uma amiga me perguntou: ‘Jean, onde pulsa seu coração?’. Eu respondi que era sendo Irmão, porque também desejava ser professor. Foi assim que decidi procurar os Maristas”, recorda.
Leia o testemunho completo de Jean aqui!
No caso de France, a experiência vocacional foi sendo construída ao longo de sua participação em iniciativas juvenis e sociais ligadas à missão marista.
Natural do sertão de Alagoas, ele se aproximou do carisma marista ao participar de atividades no Centro Social Marista Irmão Rui, em Ribeirão Preto (SP). “Foi ali, na convivência com os Irmãos, educadores e jovens, que comecei a perceber o quanto me tocava a missão de estar próximo das crianças, adolescentes e jovens, especialmente os mais vulneráveis”, conta.
Leia o testemunho completo de France aqui!

A experiência da vida fraterna na cultura vocacional
Parte importante do caminho de discernimento vocacional é a experiência de viver o cotidiano nas comunidades maristas.
Jean, que recentemente passou a morar na comunidade da PUCPR, em Curitiba, conta que essa convivência tem sido profundamente significativa. “Conviver com os Irmãos, partilhar a vida e os sonhos em torno da mesa tem desenvolvido em mim um forte sentido de pertença. Hoje já não falo mais ‘a casa dos Irmãos’, mas ‘lá em casa’ ou ‘na minha fraternidade’”, relata.
Para France, a experiência também tem revelado a beleza da vocação vivida nas pequenas coisas do dia a dia. “Nas conversas, nas refeições e nos momentos de oração, percebo como o carisma marista se vive nas pequenas atitudes. Isso me ajuda a entender que a vocação se constrói todos os dias”, explica.

Um caminho que se confirma no discernimento
O processo vocacional também é marcado por momentos de dúvida, oração e escuta interior.
Jean recorda que, durante um período vivendo fora do Brasil, sentia com insistência uma pergunta interior: “Por que você não volta para a vida religiosa?”. Depois de um tempo de reflexão, oração e acompanhamento vocacional, decidiu retornar ao país para retomar esse processo de discernimento.
Hoje, ele afirma que a paz interior é um dos sinais que confirmam esse caminho. “A paz que sinto no coração é a confirmação diária de que estou no caminho certo”, afirma.
France também destaca que o discernimento acontece pouco a pouco, iluminado pela própria história de vida. “Quando olho para o meu caminho, percebo que sempre houve em mim o desejo de colocar a vida a serviço. A oração, o acompanhamento e o contato com jovens ajudam muito a continuar dizendo ‘sim’ a esse caminho”, partilha.

Cultura vocacional: uma missão de todos
Para a família marista, cuidar das vocações não é responsabilidade apenas de quem acompanha diretamente os jovens. Trata-se de uma missão compartilhada por toda a comunidade.
Segundo France, esse apoio aparece de diversas formas no cotidiano da província. “A vocação não se constrói sozinho, mas em comunidade e em rede. As pessoas que trabalham na Organização Religiosa também fazem parte dessa rede de cuidado e apoio”, afirma.
Ele destaca que muitas vezes são os gestos simples que ajudam os jovens em discernimento. “O cuidado com as vocações acontece também no acolhimento, na escuta e na forma como cada pessoa vive sua missão.”
Essa compreensão expressa aquilo que os maristas chamam de cultura vocacional: um ambiente em que as pessoas, os projetos e as relações ajudam os jovens a reconhecer e responder ao chamado de Deus em suas vidas.
Serviço de Animação Vocacional
O Serviço de Animação Vocacional da PMBCS acompanha jovens que desejam aprofundar o discernimento de sua vocação, oferecendo experiências de convivência, acompanhamento e participação na missão marista.
Esse caminho pode incluir diferentes etapas, como encontros vocacionais, experiências comunitárias e processos de formação que ajudam o jovem a compreender melhor seu projeto de vida.
Mais do que oferecer respostas prontas, o Serviço de Animação Vocacional convida cada jovem a escutar com liberdade e profundidade a pergunta que Deus faz ao coração. Um caminho de discernimento que continua sendo construído na vida, na missão e na comunidade.