Apelos do XXIII Capítulo Geral

No dia 24 de setembro, durante o Capítulo, os trabalhos foram marcados pela apresentação dos resultados das reflexões realizadas pelos grupos temáticos. Cada grupo se dedicou ao aprofundamento de uma das cinco áreas prioritárias que, a partir deste processo, se consolidam como os cinco grandes apelos do XXIII Capítulo Geral: espiritualidade, vocação, missão, vida comunitária e governo e liderança.

Os trabalhos na Sala Capitular iniciaram após a oração da manhã. Os 5 grupos apresentaram os valores marianos e sinodais, conversões necessárias e uma proposta redacional da chamada de cada área. A dinâmica foi idêntica para cada área temática: os representantes dos grupos fizeram a apresentação e, em seguida, após um momento de silêncio, os capitulares, nas mesas refletiram com a ajuda dessas perguntas:

  • Qual é a novidade?
  • Em que a proposta fortalece a vida do Instituto?
  • O que falta?

Houve espaço para compartir as principais impressões e, ao final do diálogo, as propostas foram enviadas à comissão facilitadora.

Abaixo se apresentam as sínteses dos apelos do XXIII Capítulo Geral:

Missão

O cerne da chamada é o apelo a ser boa notícia para as crianças e jovens de hoje. O grupo identificou, entre os valores, elementos como o cuidado integral e serviço, ousadia, educação inovadora e resposta comunitária à missão. Entre as conversões que precisam ocorrer, sublinhou a necessidade de passar da acomodação à abertura e novos horizontes, do pessimismo à inspiração criativa, da educação convencional à uma formação sistêmica e do isolamento à uma interdependência fecunda.

Governo e liderança

O grupo propôs como apelo a promoção de uma liderança pastoral e processos de governo que garantam um futuro viável e sustentável. Os valores destacados foram: trabalho em equipe, escuta, discernimento, transparência, corresponsabilidade e visão de futuro. Viu-se a necessidade de passar dadependência e do individualismo à interdependência e à corresponsabilidade; do medo e do conformismo à audácia e à criatividade; da rigidez e da inércia à flexibilidade e à proatividade; de uma manutenção de curto prazo para uma sustentabilidade de longo prazo.

Vida comunitária

O apelo sublinha as diferentes vocações, convida ao cuidado e à acolhida de dons e vulnerabilidades promovendo um lar para todos que transforme e abrace o contexto social, eclesial e marista. Os valores destacados nesse âmbito foram: compaixão e cuidado; simplicidade; boa comunicação através da partilha e escuta; liderança que respeita a diversidade. Também foram mencionadas as conversões necessárias na caminhada marista ne âmbito: de uma vida comunitária feita por obrigação à uma comunidade que acolhe e gera vida; da comunidade sincrônica à uma comunidade marcada pela espiritualidade e que humana; da vida uniforme à flexibilidade e vida familiar; da comunidade que fala àquela que escuta.

Vocação marista

A proposta do grupo apela à renovação vocacional mediante uma formação integral e a atenção ao acompanhamento. Entre os valores citados estão: escuta ativa, testemunho, discernimento e cuidado. As conversões propostas são: de uma abordagem tradicional para uma mais holística e dinâmica; de “produzir vocações” para acompanhar e cultivar processos de discernimento; do conforto interno para o compromisso de cuidar de si para poder se doar; da indiferença para a audácia de um Instituto criativo que prioriza a animação vocacional; da falta de compromisso e entusiasmo das comunidades com as vocações para o engajamento com uma cultura vocacional.

Espiritualidade

Faz-se apelo a uma espiritualidade encarnada, centrada em cristo, transformadora de vida. Sublinham-se, como valores, a transformação, o diálogo eclesial e intercultural, simplicidade, discernimento e escuta contemplativa. O sonho é o de passar de uma espiritualidade autorreferencial para uma espiritualidade centrada em Cristo; de uma espiritualidade desconectada para uma espiritualidade de integração; ee uma espiritualidade baseada em práticas externas para uma espiritualidade autenticamente humana e cristã; de uma espiritualidade como experiência individual para uma espiritualidade como caminho compartilhado; de uma espiritualidade meramente teórica para uma vida de fé baseada na experiência.

Lembrança do Ir. Ernesto para os participantes e despedida dos convidados

O dia marcou a conclusão da participação dos 16 convidados ao capítulo, 8 Irmãos e 8 leigos. Durante a celebração eucarística, o Irmão Ernesto Sánchez, superior geral e presidente do Capítulo, agradeceu a sua presença, destacando a importância que tiveram no processo de discernimento. Ao mesmo tempo, sublinhou o papel das facilitadoras, Joy e Estela, agradecendo-lhes pelo serviço prestado. Cada participante do capítulo recebeu, então, das mãos do atual Conselho Geral, como lembrança, uma reprodução do ícone celebrativo dos 100 anos do Bicentenário da casa mãe de Notre-Dame de l’Hermitage.

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