O Irmão Peter Carroll, Superior Geral oferecerá, a partir de hoje (28), uma reflexão mensal tratando aspectos significativos da missão e do estilo de vida marista. A série se chamará “Horizontes Maristas” e será distribuída através dos canais de comunicação do Instituto.
Publicadas na quarta quarta-feira de cada mês, essas reflexões nos convidam a ampliar nossos horizontes, aprofundar nosso compromisso, responder de maneira criativa aos apelos emergentes da Igreja e do mundo e nos animar nos esforços diários para Dar a conhecer Jesus Cristo e fazê-Lo amar à maneira de Maria.
Através dessas reflexões, o Irmão Peter deseja oferecer orientações, inspiração e acompanhamento, enquanto continuamos caminhando juntos como família marista global, atentos aos apelos do XXIII Capítulo Geral.
Missão Marista na África
Caros amigos maristas.
Nesta edição inaugural, quero me concentrar em nossa missão marista na África. Minha escolha é simples: passei recentemente três semanas no continente e gostaria de compartilhar algumas impressões.
A África é vasta e extraordinariamente diversa. Abrangendo 30,3 milhões de quilômetros quadrados, é o segundo maior continente do mundo e lar de 1,5 bilhão de pessoas. Compreende 54 nações e mais de 3.000 línguas, refletindo um rico mosaico de culturas e tradições.
Antes do Natal, viajei para a África do Sul para o 12º Capítulo da Província da África Austral. No início do ano novo — depois de participar do Capítulo Estrela do Mar em Fiji e passar o Natal com minha família na Austrália — voltei para a África. Desta vez, participei do Capítulo da Província da Nigéria e do encontro de uma semana dos provinciais africanos em Gana. Em todos os lugares que visitei, recebi calorosa hospitalidade e forte encorajamento.
Os Maristas de Champagnat vivem e atuam em vinte países africanos, organizados em cinco Províncias: África Centro-Oriental (República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Quênia, Ruanda, Tanzânia), Madagascar, Nigéria, África Austral (Angola, Malawi, Moçambique, África do Sul, Zâmbia, Zimbábue) e África Ocidental (Camarões, Chade, Gana, Costa do Marfim, Libéria). Mantemos também presença na Argélia e no Sudão do Sul, sob diferentes acordos.
É um erro pensar na África como um todo uniforme. Mesmo dentro da África Subsaariana – nosso foco principal – existe uma imensa diversidade cultural, linguística e étnica. Os costumes e identidades tradicionais permanecem fortes e continuam a moldar a sociedade de maneiras poderosas.
Juventude e vitalidade da vida Marista
Minha primeira impressão marcante foi a jovialidade e a vitalidade da vida Marista. Nos Capítulos que frequentei e nas comunidades que visitei, o perfil demográfico diferia muito de outras partes do nosso mundo Marista. A idade média dos Irmãos é de cerca de 45 anos. Mais de 140 homens estão no Postulantado ou Noviciado, e quase 70 estudam no Centro Internacional Marista (CIM) em Nairóbi. Esses números são sinais encorajadores de vitalidade, mas também representam desafios para a oferta de uma formação robusta e autêntica. As Províncias colaboram estreitamente para garantir que os recursos de formação sejam fortes e sustentáveis.
Situação sociopolítica
A instabilidade sociopolítica afeta muitas regiões onde atuamos. A governança frágil, a insegurança e a corrupção fazem com que as comunidades frequentemente enfrentem crimes e violência. Na Nigéria, certas áreas carecem de aplicação eficaz da lei. No passado, Irmãos foram sequestrados para resgate. Em Camarões, o conflito entre regiões de língua inglesa e francesa forçou o fechamento de nossas escolas. Na República Democrática do Congo, a violência — muitas vezes impulsionada por interesses externos que exploram a riqueza mineral — interrompeu nossos ministérios. No entanto, apesar dessas pressões, nossa missão Marista continua com coragem e resiliência.
Oportunidades e desafios
O rápido crescimento populacional e a urbanização da África trazem oportunidades e desafios significativos. A educação — tanto escolar quanto superior — continua sendo uma prioridade em todo o continente. Os pais desejam formação na fé e valores sólidos para seus filhos. Mas a instabilidade, as mudanças nas políticas governamentais e a pobreza generalizada muitas vezes limitam o acesso à educação. Muitas famílias não podem arcar nem mesmo com as mensalidades escolares mínimas. Isso pressiona a sustentabilidade de nossos ministérios. O aumento dos custos e das necessidades exige novos modelos de viabilidade econômica. O Escritório de Assuntos Econômicos do Instituto e a FMSI, em colaboração com os Provinciais, continuam a ajudar a identificar soluções criativas.
Durante minha visita, ouvi frequentemente o termo “grande homem”. Ele se refere a um estilo de liderança enraizado na autoridade pessoal, no carisma e no clientelismo — a capacidade de exigir lealdade oferecendo vantagens. Embora comum em muitas culturas, esse estilo pode minar a responsabilidade, a transparência e a boa governança. Pode levar à corrupção e enfraquecer as instituições, à medida que a autoridade se vincula a indivíduos em vez de sistemas. Essa tendência pode aparecer não apenas na política, mas também na vida da Igreja. Tal abordagem contradiz o modelo cristão de liderança servidora e, especialmente, nossos valores maristas de modéstia, simplicidade e humildade. Devemos permanecer vigilantes e resistir a qualquer forma de mentalidade autoritária em nossas comunidades e ministérios.
Estas reflexões apenas insinuam a riqueza da minha experiência de três semanas e da vida marista na África. Fiquei grato por fazer minha primeira grande visita como Superior Geral a um continente sobre o qual ainda tenho muito a aprender. Nos próximos oito anos, o Conselho e eu esperamos trabalhar em estreita colaboração com nossa família marista africana para fortalecer e desenvolver nossa missão compartilhada.
Bençãos!

Ir. Peter Carroll – Superior Geral
28 de janeiro de 2026