Evento contou com a assessoria do padre alemão jesuíta Hans Zollner e reuniu representantes Maristas para refletir sobre a missão da Igreja na promoção de ambientes seguros e na escuta das vítimas
Nos dias 26 e 27 de junho de 2025, foi realizado workshop sobre a vida religiosa consagrada e os caminhos para a proteção e promoção de ambientes seguros. A iniciativa foi organizada pelo Núcleo Lux Mundi da CRB Nacional, em parceria com a CNBB, a Pontificia Università Gregoriana, a Província Marista Brasil Centro-Sul e outras organizações. O encontro foi conduzido pelo padre jesuíta alemão Hans Zollner, um dos maiores especialistas mundiais no enfrentamento de abusos na Igreja Católica.
Participaram do evento representantes da Província Marista Brasil Centro-Sul (PMBCS) e de instituições parceiras: Ir. Anacleto Peruzzo (Vice-Provincial), Ir. Antônio Teles (Animação Vocacional), Ir. José Aderlan (UMBRASIL), Bárbara Pimpão e Gizele Barbosa (CMDI), Bruna de Oliveira (Compliance) e Mário Sanches (PUCPR).
O workshop reforçou a urgência de iniciativas concretas, intercongregacionais e pastorais, para que a vida consagrada continue sendo um espaço de acolhida, esperança e transformação no enfrentamento dos abusos. Durante sua fala, Hans Zollner destacou que a proteção de crianças, adolescentes e pessoas vulneráveis não é uma responsabilidade periférica, mas uma missão central da Igreja, confiada diretamente por Cristo:
“A Igreja não está à parte; ela compõe a sociedade. Por isso, participar junto com a sociedade civil e compartilhar o compromisso com a proteção e a dignidade de todas as pessoas, observando as legislações dos Estados e as necessidades emergentes, é fundamental para transformar as realidades que observamos no cotidiano. Esse é o motivo de estarmos aqui. É um sinal de esperança para a Igreja e para a vida consagrada. Algo está mudando. Hoje, há mais consagrados empenhados em superar essa fragilidade dentro da Igreja.”
Ainda segundo o conferencista, o tema da proteção não desaparecerá nos próximos anos e exigirá um compromisso duradouro e testemunhal por parte de toda a comunidade eclesial:
“É um grito da humanidade que deve tocar nossa vida, a vida da Igreja e da vida consagrada. Precisamos oferecer uma resposta mais convincente.”
Zollner ressaltou, também, que a Igreja Católica, em nível mundial, tem se mostrado uma das instituições mais atentas à temática da proteção. Entre os principais desafios apontados está a criação de centros de escuta, pautados pela sinceridade e pelo acolhimento espiritual:
“As vítimas desejam ser escutadas e acompanhadas. Como Igreja, ainda fazemos pouco. Precisamos aprender mais uns com os outros.”
Por fim, em sua reflexão, Hans Zollner enfatizou que desenvolver políticas de proteção não deve se limitar à elaboração de documentos. Uma verdadeira reforma, renovação ou retomada exige tempo e não se sustenta apenas em respostas documentais ou protocolares:
“Ter políticas publicadas não garante que o espaço seja seguro. Se não partirmos de uma visão positiva da missão da Igreja, pouco será efetivo. A proteção é missão da Igreja. Nosso compromisso é com o mesmo cuidado que Jesus teve e transmitiu: prevenir, proteger e formar.”